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terça-feira, janeiro 05, 2010

Natal de 2009

Fui agraciado por Deus com talento para tocar um instrumento. E logo cedo percebi que nós músicos nos expressamos em outro idioma, que mesmo não sabendo falar, compreendemos com a escuta do coração quando uma música “nos toca”.

Aprendi com o Nenê (Realcino), respeito e admiração pelos instrumentistas que os acompanhavam e a outros artistas. “Ouça, meu filho, a maravilha que esse menino faz com o piano!”

Hoje é dia de Natal e por estarmos mais sensíveis com o nascimento do menino Jesus, pensamos naqueles que estão ausentes, porque morreram, ou porque sofrem com doenças ou outros males. Por isso pensei no pianista Helvius Vilela, que doente, não está podendo trabalhar e ganhar seu sustento e de sua família. Pensei nele porque soube disso através de um musico, com quem tocou e que revi no lançamento do seu CD em setembro.

Pensei em Helvius porque tenho pensado muito nos músicos “da antiga”, que trabalharam a vida inteira mas não tem quem os mantenha quando a saúde lhes falta. Além da batalha diária para conseguir trabalho com música decente, à altura do talento deles, e não essa porcaria que infesta os meios de comunicação.

Pensei em Helvius, porque há mais de 10 anos venho militando no setor musical, no qual percebo a perversão que aflora nos que sentam a bunda em qualquer instância de poder, sejam entidades de classe ou poder público. É a figura histórica do traidor de classe, o capitão do mato. Essa perversão consiste em desqualificar o músicos: “são bêbados… são drogados… não se organizam… se estão nessa situação a culpa é deles…”

Não, a culpa não é deles. A culpa é de todos nós quando compactuamos com políticas públicas que financiam o empresariado e não o trabalhador. Quando não exigimos um sistema de saúde que atenda a todos e não apenas aos que tem plano de saúde. Quando não exigimos do Estado a obrigação que lhe cabe: responsabilizar-se por todos seus cidadãos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

Mas enquanto isso não vem, tratemos de fazer do nosso modo. Levemos adiante o projeto do baterista Teo Lima, que inspirado na Casa do Artista dos atores, vem batalhando para criarmos a CASA do MÚSICO.

Vamos nos unir para em 2010 concretizarmos essa idéia. Aí sim, teremos um feliz ano novo. “-Ouçam, meus filhos, a maravilha que esse menino faz com o piano!”

25 de dezembro

2 comentários:

Liss Bella disse...

Eu me alisto para ajudar no que for necessário para a concretização desse projeto tão nobre e lindo!
Conte comigo!

Denis Cambalhota disse...

Obrigado LISS