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quarta-feira, novembro 04, 2009

Sorte e azar




Tive a sorte de ler até o fim o livro “O Jogador”, de Dostoievsky. Li, também, o breve perfil do autor e daí deparei-me com várias formas de sorte e azar vivenciadas pelo grande escritor russo, durante sua vida. Fiádor Mikhailovitch Dostoiésvski teve a sorte de nascer na primavera do outubro de 1821 e o azar de ser no período em que sua família, até então rica, ficava pobre. De ter se criado saudável num ambiente de doenças e carências. De ter perdido sua mãe, na adolescência e por consequência a sorte de se afastar do opressor do pai. No seu azar de estar na escola militar por obrigação viveu a sorte de encontrar-se com a literatura, que seria sua grande paixão existencial. Obteve a sorte de escrever sua primeira novela e imediatamente ser reconhecido e logo ver a sorte esvair, quando a crítica volta atrás e o detona. Descobrir o socialismo e ter o azar de ir para a prisão. De ser condenado à morte e no ato do fuzilamento, ser poupado.
Teve o azar de apaixonar-se por uma dama casada e a sorte de desposá-la ao ficar viúva. De ter ganho muito dinheiro na roleta de um cassino e de ter ficado na miséria momentos após. Quando pouco tempo de vida lhe restava, encontrou o amor e teve a filha que sempre sonhou.
Isso ilustra a teoria que carrego por todos os tempos: Para tudo na vida há dois lados, o da sorte e o do azar, o da alegria e o da tristeza, o da prisão e o da liberdade, o do claro e o do escuro, o do doce e o do amargo, o do São Paulo e o do Curintia.

Assim é viver, estar sobre a linha tênue dos dois lados: O do viver ou o do se deixar viver. Mas em ambos, o tempo é o único rei dominante. Portanto, não reclame a falta de sorte e nem se vanglorie das vitórias, logo, o tempo as levará. A ordem é bola ao centro e manter-se no jogo.

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