Home
Quem Somos Contato O Anel
-

domingo, agosto 30, 2009

Apaixonado



Quando criança eu pensava que tudo iria durar para sempre. Minhas alegrias, meus amigos, minha saúde, meus sentimentos, o dinheiro e a comida. Porém, o sábio senhor do tempo me alertava a todo o momento que nada é eterno. E, quando mais eu relutava em crer na inconstância, mais o tempo tirava-me as forças. Hoje, trago comigo que o que realmente sustenta a existência é a constante incerteza de tudo e a firme mudança eterna.

Apaixonado. De repente, quando não havia mais nada a esperar, me deparei com este potente sentimento instigante, de bem estar.
“…Anoitecia ali diante de meu ser o infinito inebriante com a fusão do sol, do mar, do vento e das velas dos barcos, coloriram minha Iris…” (Paulo Cesar Pinheiro).
E assim eu Fascinado com a beleza à minha frente fui deixando-me levar por esse ambiente sedutor. Nada mais parecia existir para mim, ali perante o seu fascínio. Na certeza envolvente senti no fundo de minha alma prazer e culpa. O êxtase egoísta pelo emprego do todo, me tornei poderoso. E, ao mesmo tempo, a instigante dúvida ou o real medo de que logo iria perder aquele precioso momento me fez querer dominá-lo. Mas não sucumbi a dor ao querer brigar comigo. Como manter e levar para todas as pessoas com quem eu queria compartilhar? Talvez dentro de mim.
Rumei para casa sob o êxtase da aparição. Vi-me como outro ser. Sem ser imperfeito, sem ser crítico, inseguro, sem querer ser quem não sou. Vi-me iluminado, querendo o amanhã, desfrutando o sabor de tudo. O doce do chocolate, a maciez do macarrão, a acidez do molho, o azedo do queijo, o mistério do vinho. Vi-me amando, degustando,percebendo e sutilmente provocando o tempo diante de um espelho irreal. Gostei. Gostei-me e me dei paz. Apaixonado, não medi os riscos e não me senti incapaz. E volto a querer dominar o tempo e não deixar que ele leve mais este encontro para um espaço perdido.
Quero continuar me amando, aceitando e perdoando o fato de ser só um humano. Uma pessoa grata pelas amostras do tempo. Uma criança que se distanciou da infância e que ainda teima em querer que as coisas boas a acompanhe à eternidade. Que chora com as perdas e teme a dor do abandono. E ri, e vibra e sente-se dono do mundo quando se permite ser só a criança diante do por do sol. É apaixonante.

Um comentário:

Danilo Fernandes disse...

Fala Denis!


Queria convidar você para conhecer o meu blog, o Genizah que horas é pirado e engraçado, horas é exaltado e sério, mas é super do bem e tem como regra levar o Evangelho da Liberdade Verdadeira e a Santa Subversão de Jesus ao mundo egocêntrico e perdido nos seus valores! E, ainda dando tempo, aproveito para tirar uma onda com este pessoal que anda explorando a fé das pessoas e ainda dizendo que são cristãos... Ops!

Por minha vez, já me tornei seu seguidor.

Abraços em Cristo e Paz!

Danilo

http://www.genizahvirtual.com/