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quinta-feira, julho 09, 2009

O olfato

O olfato, para mim, é o mais estimulante entre os seis sentidos.

Quem não se sensibiliza com cheirinho de talco de bebe, de orvalho, de jasmim, de orquídeas? Ou, tem água na boca com o aroma de café coado, feijão temperado, pipoca quentinha? Ah, e a sensação refrescante de terra molhada, do orvalho, da menta, do aniz. E o quentume (uia) na coluna quando se sente o perfume da pessoa amada. O aconchego do cheirinho de mãe e a tensão do cheiro da farda. Nada é mais estimulante que um cobiçoso aroma.



Tá certo que nem todos os raios olfativos são agradáveis. Diga-se o da raposa vermelha, o do zorrilho e do fede-fede, no reino natural. O esgoto, o leite azedo e a panela queimada, na realidade humana.



O cheiro foi criado para atrair, mas também para repelir. Serve de arma, traiçoeira e inacessível arma. Isso que sequer temos aquela sensibilidade dos focinhos caninos, que percebem 100 vezes mais o cheiro, do que nós focinhentos banhados. Mesmo assim tomamos cem vezes mais banhos que eles. Pelo menos aqui no Brasil, não sei o que dizer dos europeus.



O cheiro é sempre uma surpresa, degustativa ou enjoativa.



O cheiro é cheio de graça e de sutil fumaça. Envolve, entorpece e arremete a lembranças de passagens em todos os tempos. Ele nos transporta a qualquer lugar num só suspiro. Lembro do da querosene queimando no fogareiro da vizinha, quando fazia mingau e me chamava no muro para oferecer-me um pratinho, que eu comia pelas beiradas com muita canela em pó. E dos pelegos de ovelha (do sitio) que cobriam as cadeiras no galpão, quando sentávamos para tomar mate, em torno da lenha queimando e fervendo a água na chaleira de ferro. Um cheiro inigualável. Todos lembrando calor e aconchego. Isso, talvez, tenha sido trazido a minha mente pelo cheiro que sinto, aqui, apreciando a lareira estalando os gravetos promovendo o colorido da brasa.



E o cheiro do cloro das piscinas que me reportam ao verão e o da naftalina ao inverno. Os dias da semana, também, podem ser lembrados por cheiros. Sábado tem cheiro de cera e lustra móveis. Domingo cheira a churrasco. Segunda-feira a caderno e cola. Terça à cânfora, quarta a feijão preto. Quinta a meias sujas e sexta a um chopes gelado. Não implique, estas são minhas associações. Faça você as suas.



O cheiro do combustível em São Paulo e do fedor da linha vermelha no Rio de Janeiro são características bem próprias. São cheiros que não me atraem, e não constam nas belas paisagens das fotos. Assim como de peixe podre na beira da praia e de estrume no meio do campo. Faz parte.



Agora, se tem um cheiro que me deixa arriado e não dá chance de pré-arrependimento é o do pão saído do forno. Céus, este pecado eu pago com prazer, depois de devorar umas fatias com manteiga e mel. Não vou falar do aroma dos vinhos porque isso requer sobriedade e depois de uns quatro cálices, percebo-me sem corpo e sem alma. Posso falar amanhã do cheiro da ressaca. Só não vou deixa para amanhã o que posso comer hoje. O mechidão do (piu - café) chamando-me pelo aroma. Bon apetit, voilá, perfume irresistibelle!

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