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segunda-feira, junho 15, 2009

Tenha uma Boa Viagem !

*eu e Mayara voando para Rio de Janeiro

Pra quem trabalha com música, a vida se passa em grande parte em aviões e hotéis. Por isso mesmo quando estamos em casa, pouco saímos. Queremos curtir o ambiente que construímos, nosso silencio, a imobilidade, o chão. Viajar tanto tem suas vantagens, pois não há rotina em nenhum momento. Vamos também aprendendo alguns truques para tornar as viagens mais confortáveis, como levar a bagagem do tamanho exato do que se precisa (chegamos quase à perfeição nesse ponto, cada um leva sua mala e seu instrumento, e nada mais. Uma mala por pessoa), deixar espaço na mala para o travesseiro (importantíssimo, garantia de noites melhor dormidas), evitar comer e beber além do necessário, coisas assim. Tem funcionado bem e amenizado o stress de estar sempre em algum lugar que não é o nosso. Embora a gente também procure tirar o melhor de cada viagem, conhecer lugares e pessoas, ver o que há para se ver, e de quebra, estar trabalhando com dignidade e alegria. Não dá pra negar que por este lado é ótimo.
Quando acontece uma tragédia aérea como esta do avião da Air France _ rota que vamos fazer em agosto, e que há apenas um mês atrás foi feita por um amigo com a família toda _ a angústia é maior do que o normal. Sabemos que estaremos sempre no ar a todo momento e que nossas vidas estão nas mãos de Deus. Sabemos também que não podemos abandonar o trabalho, que não para de crescer fora do Brasil. Sabemos que quando é a hora, é a hora; quando não é, não é. Mas ainda assim não podemos deixar de pensar que daqui a três dias estaremos voando de novo, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo. Japão, via Paris ou Toronto. Sempre dá um arrepiozinho.

Temos ainda na lembrança o momento difícil pelo qual passamos em 2003, voltando de Boa Vista. Eu, Pedro, Nelson, Cristian, Ralf, Casula e Leile, nossa produtora, tínhamos uma escala em Brasilia. A estada em tinha sido uma experiencia inesquecível. Mas era viagem cansativa e estávamos loucos para voltar logo. Ao invés de ficaros em Brasilia horas aguardando o Voo, como tinha sido agendado, resolvemos entrar num avião da Varig que vinha para o Rio e dep. Foi decisão de último minuto, sobraram 4 lugares no voo e fomos (Rauf pegou outro voo pra RJ). Além de nós, no mesmo avião, o querido Augusto Boal e alguns músicos da banda de Maria Bethania, que havia feito show em SP.

O arrependimento viria logo. Com mais ou menos uma hora de voo, caímos numa zona de turbulencia, onde o avião chegou a tombar para o lado duas vezes. Era uma das famosas tempestades magnéticas, que, depois soubemos, são normais a costa do Brasil. Agora, parece que são normais também em outras áreas, e vêm se tornando cada vez mais frequentes. A turbulencia durou cerca de uma hora, mais que uma eternidade. Instalou-se o caos dentro do avião, com pessoas gritando em pânico, a comissária caindo no chão (não houve serviço de bordo), o suplemento de saquinhos de vômito (sorry...) acabando, enfim, tudo indicava que não sairíamos bem dessa.

Pois saímos. Conseguimos manter a calma, felizmente (pois até pra morrer há que se manter alguma dignidade, não é mesmo?) e afinal a aeronave se estabilizou e não houve consequencias mais graves. A perna bambeou aqui mesmo, já em Congonhas, quando as fichas caíram. Mas aí já estávamos em terra firme de novo. A lembrança ficou, e volta sempre que ficamos sabendo de algum caso desses. Principalmente tendo uma longa viagem logo ali.

Imagino o sofrimento dessas pessoas e suas famílias. Deus os abençoe e nos proteja nas próximas viagens.

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