Home
Quem Somos Contato O Anel
-

domingo, outubro 12, 2008

América e a Libertade !


O que têm em comum o recém-falecido Paul Newman, Anita O'Day, June Christy? Pra mim, simbolizam um estado de coisas, ou estado de espírito, onde nos anos 50 o jazz era a música pop da América pós-guerra e havia uma impressão de liberdade no ar, embora se estivesse em plena guerra fria, com o macarthismo comendo solto por lá. Anita e June, cantoras de formação big-band, o disco 'Something Cool' de June rolando direto, com suas personagens que pareciam saídas de uma peça de Tennessee Williams, a narradora da canção dependendo da bondade de um estranho que talvez vá lhe pagar uma bebida. A era do swing já se acabando, os beatniks, pais dos futuros hippies, já on the road, Thelonious Monk pirando na maionese, Miles Davis ainda usando terno e se mandando para a Paris dos existencialistas, os anti-heróis – Newman, Brando, James Dean, e por que não, Chet Baker _ a América pré-Vietnam ditando a estética do mundo desde então e desde antes, e durante todo o século XX. Anita O'Day deslumbrante no festival de Newport, chapéu e vestido combinando como se estivesse num sweepstake, a voz quebrando tudo, sem barreiras. Que momento.

Os personagens desse tempo (ícones dos futuros bossa-novistas, então adolescentes) quase todos já morreram ou estão morrendo agora. Eu queria ter vivido essa época. Não peguei nem a rebarba do chic, Audrey Hepburn de pretinho e pérolas em 'Breakfast at Tiffany's', Tony Perkins cantando jazz quando já não era mais moda _ meu início de adolescencia nos anos 90 já foi diferente. Nasci atrasad0, perdi esse trem, e jamais consegui ter qualquer afinidade com a maioria dos meus companheiros de geração, fãs de rock'n roll. Levei alguns anos para achar alguma graça nos Beatles. A música mudaria, o cinema mudaria, o mundo estava mudando e acabou-se a inocencia. Pode a guerra do Vietnam acabar com a primavera? _ pergunta ingênua que a gente fazia numa enquete meio ridícula na escola, e tinha quem levasse a sério e respondesse. Pois pelo menos nos Estados Unidos acabou. A nossa primavera ainda duraria mais um pouco, só um pouquinho mais, até que por aqui também tudo mudasse.

Quais serão as próximas grandes mudanças do mundo, não sei prever. Mas com certeza começam por lá, pela América do Norte _ onde, aliás, já começaram.

Nenhum comentário: