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terça-feira, maio 20, 2008

Yuri (Bandulim ou Contra-Baixo) ?

Talvez o Yuri precise repensar essa escolha (do bandulim para a Contra-Baixo) e assumir um instrumento de menores proporções, daqui a não muito tempo. Estou exagerando, é claro que ele não fará nada disso _ mas a paranóia faz sentido. As companhias aéreas brasileiras entraram em campanha aberta contra músicos de todos os segmentos. Atualmente um músico que precise viajar com instrumento próprio é obrigado a despachar o dito cujo como carga, a preços extorsivos (mais caros que o tradicional excesso de peso) e nem sempre com a garantia de que sua ferramenta de trabalho chegará no mesmo vôo. O infeliz passageiro deverá chegar ao departamento de cargas com três horas de antecedencia (o que somado `a antecedencia de praxe para o check-in pode resultar em mais de cinco horas!) para que o instrumento seja pesado e avaliado por despreparados funcionários, que não distinguem um contrabaixo de uma gaita de boca.

Nosso amigo Zeca Assumpção, baixista acústico de longa e reconhecida carreira, tem tentado de todos os modos reverter esta nova política, através de cartas, emails, toques na imprensa e comunicação direta com as empresas. Recentemente recebeu uma carta pessoal do presidente da TAM, dando-lhe a garantia de que poderá viajar com seu baixo nos vôos da empresa. Nada, porém, que assegure que outros músicos poderão fazer o mesmo, e nenhuma garantia de que outras companhias aéreas seguirão o exemplo. É pouco, muito pouco.

Fazer música no Brasil continua sendo cada vez mais atividade de risco. Não conheço ninguém, com exceção das grandes estrelas do ramo, que não esteja com a vida pendurada em dívidas, cartões estourados, contas atrasadas e tudo o mais. Músicos com anos e anos de enormes serviços prestados `a cultura brasileira cada vez mais se dedicam apenas ao ensino, impedidos de exercer a profissão por razões que variam do esvaziamento do mercado para a música criativa `a inviabilidade das turnês pelo Brasil _ caso em que esta questão das companhias aéreas pesa muitíssimo. Estarão ensinando e, sem querer, contribuindo para criar mais uma legião de excelentes músicos desempregados no nosso amado país. Mas quem se importa?

Não o governo federal, que até hoje não incluiu a música no currículo regular das escolas, o que ajudaria imensamente na formação de platéias; não os sindicatos dos músicos e a OMB, que teoricamente nos representam, e na prática apenas cobram de nós a anuidade, sem o pagamento da qual estamos impedidos de trabalhar. Destas entidades, seria de esperar que reagissem com firmeza a esta nociva atitude das empresas aéreas. Eu ainda não ouvi nem um pio por parte de nenhuma delas. Alguém aí já ouviu?

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